Dos números aos treinamentos: a trajetória de Beatriz Sousa na Ambev

Beatriz Sousa tinha acabado de lavar um banheiro de um restaurante à beira-mar quando decidiu: “não é isso que eu quero para mim”. Essa foi a faísca que a impulsionou a transformar sua trajetória de freelas — para ajudar a pagar os custos de deslocamento e estadia da faculdade — até o cargo de Analista de Onboarding na Ambev. Três anos e meio depois do início no programa de estágio, ela é hoje responsável por liderar a experiência de entrada de todos os novos admitidos das cervejarias (mundo Supply) e de novos estagiários de todas as áreas da companhia.

Beatriz começou sua jornada na área financeira do Zé Delivery, braço digital da Ambev. Ainda que tenha aprendido muito — “eu tinha zero Excel”, brinca — sentia falta de estar mais próxima das pessoas. Foi em uma conversa de feedback com sua liderança que pediu para migrar para o time de Gente e Gestão. Desde então, se encontrou. Assumiu o onboarding do Zé Delivery e o desenvolvimento dos estagiários do programa que ela mesma havia participado. “Ver cada efetivação acontecendo era uma realização pessoal”, lembra. Mas por meses a sua própria efetivação não vinha. Até que, aos 48 do segundo tempo, surgiu uma vaga em São Paulo. Ela se candidatou, foi contratada — e topou a mudança de estado.

Hoje, Beatriz lidera turmas de integração que passam por ela logo nos primeiros dias de empresa. Comanda agendas cheias de treinamentos, alinhamentos com RH e iniciativas de experiência para líderes e operadores. Recentemente, identificou uma lacuna nos processos para novas lideranças e criou um novo módulo de formação específico. “Eu fico feliz em saber que estou ajudando a carreira de todo mundo, de certa forma”, diz.

A inspiração para sua jornada vem de casa. “Meus pais sempre disseram: não vamos te cobrar nada além de estudar e construir algo pra sua vida”, conta. Seu pai acordava às 4h e voltava às 23h; sua mãe concluiu o ensino médio depois de adulta. “Eles fizeram tudo para que eu pudesse ir além.”

Resiliência, como ela mesma define, é uma palavra que acompanha sua trajetória desde o início. E não à toa. Para Beatriz, construir uma carreira que faça sentido exige movimento constante, coragem para mudar e espaço para respirar. Têm dias que a gente passa mais tempo no trabalho do que em casa. Então precisa fazer sentido. Nem que seja dormir no fim de semana: se me renova, já valeu.”

 

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